Madureira,
Zunido: O seu jornal de bairros na internet. Produzido por estudantes de Jornalismo e Publicidade do Campus Madureira da Estácio de Sá

Pique Novo visita Madureira

Grupo celebra os seus 14 anos de carreira com lançamento de DVD

 
Texto e fotos Ricardo Napolitano


No dia 21 de setembro, o Grupo Pique Novo compareceu a Rádio Madureira Shopping para um bate-papo muito descontraído com a locutora Acácia Vieira. Em pauta o lançamento do primeiro DVD ao vivo que celebra os 14 anos de sucesso do grupo, as eleições presidenciais e o início da carreira. Até mesmo o momento trágico da morte do integrante Rogério Pique, morto em um assalto no viaduto Negrão de Lima, foi lembrado pela turma. Quem também esteve na rádio foi o pequeno e invocado Hudson. Filho de Nego Binho, o menino não abria nenhum tipo de sorriso e o seu passatempo foi uma garrafinha plástica promocional do shopping. O mascote do grupo, com 5 anos, foi responsável por momentos de risadas conforme o desenrolar da entrevista.

A agência de notícias Zunido não poderia estar de fora e acompanhou de perto, também, todos os detalhes dessa entrevista com os integrantes Liomar (cantor), Nego Binho (percussionista) e Renatinho (percussionista). Às 16 horas, um clima de euforia tomou conta dos corredores do 3º piso do Madureira Shopping e uma multidão formada por mulheres, crianças e curiosos, que passavam no local, se aglomerou na frente da rádio. A faixa “Porta pra felicidade” tocava pelos alto-falantes até que... começou a entrevista.

   
Liomar fala sobre o lançamento do DVD previsto para outubro

Agência Zunido e Rádio Madureira Shopping – Em 1998, a música “Lugares” explodiu em todo o país mudando a carreira de vocês. Fale um pouco sobre essa mudança.

Grupo Pique Novo – Com certeza. Nós gravamos em 1996 e aí conseguimos lançar esse trabalho em 1997 pela nossa primeira gravadora, a Paradox Music, e tivemos a felicidade de lançar a música “Lugares” que puxou outras canções como “Luz”, “Supra Sumo do Amor”, “Amor Oriental” [...] e, graças a Deus, de lá para cá nós conseguimos conquistar um público que vem acompanhando ao longo dos anos toda a nossa trajetória. Nós que já estamos partindo agora para o nosso sétimo CD e primeiro DVD. O primeiro CD foi feito com bastante luta, com bastante dificuldade e, assim, a gente tinha medo de não conseguir emplacar o trabalho, era o nosso único “tiro” e teria que ir ao alvo. Mas, graças a Deus, nós conseguimos.


Rádio Madureira – Como era o cotidiano do grupo antes do sucesso? Tinha muito show, correria? Dava para conciliar outra atividade profissional?


Pique Novo – Essa música tocou durante um ano, entre 1997 e 1998. A gente, como se diz, vivia da noite. Tocava no pagode da casquinha e o Liomar (cantor) não deixava a gente parar, pois era componente do grupo e empresário (muita risada). A gente não parava e sempre foi assim. E mesmo agora com os produtos do grupo vendendo nas ruas, o reconhecimento melhor do público, mesmo fora da mídia, vamos dizer assim, o Pique Novo nunca deixou de trabalhar.


Rádio Madureira – Qual foi a maior loucura que uma fã fez por vocês?

Pique Novo – Já aconteceram várias coisas, por exemplo. A fã entrar escondido em nosso ônibus e quando o mesmo partia, ela saía e se apresentava, no quarto do hotel, também, de vez em quando aparecia uma fã escondida no guarda-roupa, aí o problema era agente a deixar ir embora. Nós é que virávamos fã da fã (risos). Mas tem outras loucuras que nós não podemos falar neste horário (mais risos).

   
Pique Novo acredita que o presidente Lula merece
ser reeleito e ter mais uma chance


Rádio Madureira – As pessoas costumam dizer que o Pique Novo tem um diferencial se comparado aos outros grupos, que é a simplicidade. Tem muita gente que depois de famoso perde a humildade. Como é que vocês trabalham para o assédio não subir a cabeça?

Pique Novo – Temos uma forma de ver isso porque sempre almejamos a chance de ter essa oportunidade. E, quando se conquista alguma coisa, não se pode mudar. Até porque sobrevivemos desse carinho, dessa admiração e ficaríamos muito tristes se a gente chegasse aqui não tivesse um abraço, uma realização dessas que não há dinheiro que pague. Então, talvez, a diferença do Pique Novo em relação a essa forma de pensar é que a gente consegue sustentar o nosso trabalho todos os dias. Fazemos coisas durante o nosso trabalho e pensamos depois: “como nós chegamos a fazer isso?”. Tivemos agora a produção de um DVD independente. Conseguimos bancar o trabalho e, com certeza, vai ser um dos melhores DVD´s. O público merece. Pelo carinho, respeito que têm por nós. Procuramos fazer o melhor dentro das nossas possibilidades, quer dizer, o mercador fonográfico está difícil por causa da pirataria. O artista não consegue se manter por causa dessa deficiência. A gente vem parindo esse trabalho com muito sacrifício, com o dinheiro dos shows que fazemos no mês. Geralmente são 35 apresentações. Falando a verdade, o Pique Novo não é um grupo que se vê diariamente na televisão. A nossa música chega através da rádio que as executa gerando o interesso do público e, com isso, compra o CD. Portanto, não há dinheiro que pague e nem temos motivos para ficar de salto-alto, ficar metido. Temos que agradecer, todos os dias, por essa oportunidade. Estar aqui é um sonho que se tornou realidade.

Zunido – Por ser independente, qual foi a maior dificuldade do grupo na produção do DVD?

Pique Novo – A produção foi muito cara, mas, na verdade, nós conseguimos através do nosso público realizar este projeto e vai sair agora por uma gravadora que já está sendo indicada. Isso tudo provou que nós temos que continuar trabalhando e sustentando as nossas famílias, através desses projetos que foi feito com o maior carinho.

Zunido – Qual é a data do lançamento do DVD?

Pique Novo – O lançamento está previsto para o mês de outubro. Não sabemos, ainda, a data exata, mas quando chegar às lojas haverá uma divulgação boa, com certeza.

   
Nego Binho, Hudson e a sua inseparável garrafinha d'água

Zunido – Em 2003, um dos integrantes do grupo, o violonista Rogério, foi morto em Madureira após um assalto a mão armada. Como o Pique Novo superou este caso e como ocorreu a volta aos palcos?

Pique Novo – Nós conseguimos superar tudo o que aconteceu através do nosso público que nos apoiou muito. Mas foi a vontade de Deus. Hoje, o Rogério se tornou um anjo pra gente, uma estrela a qual nutrimos um carinho e um respeito absurdo.


Rádio Madureira – Com as eleições chegando, como está a animação do Pique Novo com relação a política no país?

Pique Novo – É um momento importante e crucial para nós, brasileiros. Passamos por uma festa agora, que foi a Copa do Mundo e, agora, temos que ter consciência das pessoas em que votaremos e, possivelmente, defenderão os nossos direitos e irão lutar por nós. Existem vários candidatos em um governo que, particularmente (Liomar), eu gosto, pois já tivemos governantes piores e o Presidente Lula para mim não está entre eles. A coisa não está boa, mas também não está ruim. Está estável. Em quatro anos é pouco e você não resolverá todos os problemas do país. Agora, com os deputados e senadores é um pouco diferente. Temos que ter uma consciência maior em quem vamos votar. Verificar quem realmente trabalha, pois as deficiências aqui no Brasil ainda existem. Você continua vendo o desemprego e o aumento do índice de violência. É importante fazer a escolha certa para que o Brasil continue sendo o melhor país do mundo.

Zunido – O que os fãs devem esperar do grupo Pique Novo daqui para frente?

Pique Novo – Uma turnê de shows muito legal, com uma apresentação novinha para eles, cantando sempre as músicas que marcaram a nossa história. A intenção é nos aproximarmos ainda mais do nosso público e dos nossos fãs.


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