Música
para todas as idades
Orquestra
de cavaquinho popular traz comunidade até o SESC Madureira
| |
|
Por Deborah Cardoso (6º período)
|
Cerca de 50 alunos, em sintonia, tocam instrumentos dos mais
variados. Cavaquinho, violão, tamborim, pandeiro, banjo
e até mesmo um bongô fazem parte da Orquestra de
Percussão do Sesc-Madureira. Formada por crianças,
adolescentes e idosos, a orquestra é constituída
por alunos de uma oficina de percussão sob a batuta do
professor Ney Drummond. Formado em Musicalidade Infantil pela
UNIRIO, Ney, que trabalha no Sesc há 10 anos, conta que
o seu objetivo é integrar estudantes das mais diferentes
idades em torno da música para passar conhecimentos entre
as gerações. “As crianças de hoje,
não conhecem cantigas de roda, sambas antigos. Proporciono
o entrosamento entre as gerações para que possamos
resgatar a cultura musical brasileira”, esclarece Ney.
Aluna da oficina há quatro meses, a espanhola Paz Rodriguez,
67 anos, que está aprendendo a tocar tamborim, explica
a importância da música em sua vida. “A música
nos dá alegria, nos remete a outras culturas e é
muito boa para a formação do ser humano”,
acredita. Seu colega de oficina, Lucas Rezende, 9 anos, faz
aulas de cavaquinho na Escola de Música Villa Lobos e
freqüenta as aulas no Sesc. “Estou no Villa Lobos
desde maio e me sinto orgulhoso quando as pessoas me vêem
tocar”, conta Lucas, que tem Dudu Nobre, Jorge Aragão
e Xande, do grupo de pagode Revelação, como ídolos.
Seu avô, Erick Rezende, 64 anos, diz que Lucas adora ir
às oficinas e que foi ele quem o incentivou a começar
a ensaiar também. As oficinas, aos sábados, têm
duração de duas horas. O próprio Sesc cede
os instrumentos para as aulas. Os alunos pagam, mensalmente,
10 reais para a oficina de percussão e 25 reais para
a oficina de cavaquinho.
| |
Marcus
Lotfi |
|
A
turma de cavaquinho esteve presente na Orquestra
realizada pelo SESC no dia 25 de novembro |
A orquestra costuma se apresentar no Sesc Madureira, no Madureira
Shopping e em eventos da comunidade, assim como na comemoração
do Dia da Música, 25 de novembro. Eles recordam sambas
antigos, como “A Banda”, de Chico Buarque, “Foi
um rio que passou em minha vida” de Paulinho da Viola,
“Trem das Onze” do Grupo Demônios da Garoa,
entre outras. “Vale a pena conferir”, recomenda
Ney.
HOJE TEM BATUCADA? TEM SIM SENHOR
Em
suas aulas, o professor de música Ney Drummond coloca
uma pitada de responsabilidade social. Como ele é voluntário
da Ong Circo Baixada há um ano, mostra aos seus alunos
a realidade que existe do outro lado do Rio de Janeiro, na Baixada
Fluminense. “Visito as crianças em suas casas.
Vejo muita desnutrição infantil. Muitos alunos
meus têm sarna”, declara Ney fazendo uma campanha
de arrecadação de objetos de higiene pessoal como
pasta de dente, escova, sabonete, entre outros artigos.
| |
Marcus
Lotfi |
|
O
professor Ney Drumond, em sua aula de percussão,
explica
os fundamentos de instrumentos como bongô e tamborim |
Localizada
em Queimados, o Circo Baixada assiste a aproximadamente 150
crianças que aprendem, principalmente, a serem cidadãos.
Malabares, Monociclo, Trapézio, Ginástica, contorcionismo
e aulas de música são algumas das atividades dos
assistidos.
Com materiais recicláveis, os alunos confeccionam seus
próprios instrumentos. Latão de tinta, martelo
velho, lataria de carro, viram instrumentos musicais. Além
disso, a Ong Circo Baixada, que não recebe ajuda do governo,
mostra um pouco da cultura brasileira. “Ainda falta muita
cultura para essa molecada. Precisamos desenvolver mais esse
lado cultural na vida dessas crianças”, prega o
professor que, como ex-aluno da Funabem (Fundação
Nacional do Bem-Estar do Menor), reconhece a importância
de atividades extracurriculares na formação de
um cidadão.