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Por
João Henriques (2º período) |
Piauiense da cidade de Floriano, Pedro Nunes é padre
há 25 anos. Morador do Rio de Janeiro desde 1980,
há quatro está no comando da capela de São
José da Pedra, localizada no alto do morro que leva
o mesmo nome. Padre Nunes contou em entrevista exclusiva
ao ZUNIDO sobre o trabalho social desenvolvido pela igreja
dentro da comunidade bem como seus maiores problemas, incluído
o recente caso do assassinato do menor João Helio,
já que dois dos acusados do crime eram moradores
do local.
Ricardo França

Padre Pedro Nunes: "Madureira é um bairro com
muitas dificuldades,
principalmente no que diz respeito a qualidade de vida de
seus moradores."
Zunido – Desde que chegou a comunidade
de São José da Pedra, que mudanças
você viu ocorrer?
Padre Nunes – Por enquanto não
houve nenhuma grande mudança desde que cheguei. Quatro
anos é um período muito curto para isso. Mas
eu sinto um fortalecimento maior das pessoas da comunidade,
embora o crescimento dos problemas seja uma constante. Apesar
disso vejo um clima de mais otimismo e esperança
que se reflete no povo.
Zunido –Nesses quatro anos, que
os maiores problemas que você pode perceber que existem
dentro da comunidade?
Padre Nunes – Percebo uma grande
dificuldade de acesso. É necessário um esforço
muito grande por parte das pessoas para chegarem a suas
casas, mas isso é o preço que se paga por
morar em áreas localizadas em morros. Outro problema
aqui é a pavimentação, muitas vezes
precária. Também vejo a necessidade de uma
política de controle de expansão de moradias
sem planejamento.
Zunido – Que analise o você
faz do bairro de Madureira através da vista área
que se tem do alto do morro de São José da
Pedra?
Padre Nunes – Sem duvida é
uma vista muito bonita. Mas devemos ter consciência
que Madureira é um bairro com muitas dificuldades,
principalmente no que diz respeito a qualidade de vida de
seus moradores. Falta uma política de favorecimento
as áreas de lazer, de embelezamento de alguns espaços
públicos. Madureira está tomada pelo comércio,
e isto não humaniza muito o bairro, a não
ser que se queira reservar a área só pra isso.
Zunido – Como é o trabalho
desenvolvido pela capela dentro da comunidade?
Padre Nunes – A capela é
administrada pela paróquia de São Brás,
mas possuímos uma certa autonomia. Tudo que conseguimos
é orientado para a própria comunidade. Atualmente
estamos tentando reformar a capela e a escadaria, que foi
construída em 1987 em regime de mutirão pela
paróquia e que precisa da reforma de alguns degraus.
É preciso cuidar para que isso não se perca
e nem desfigurar o lugar onde está localizado a igreja
de São José, que pode se tornar um ponto de
atração do bairro.
Zunido – Dois acusados pelo assassinato
do menor João Helio são moradores do morro
de São José da Pedra. Como os moradores se
posicionaram sobre este caso?
Padre Nunes – Durante muito tempo
se falou nisso, e a desaprovação foi visível.
Mas em nenhum momento houve reações de violência
contra as famílias. E agora vejo que este trauma
esta passando, pois o povo esquece logo. A imprensa tem
o papel de não deixar os fatos serem esquecidos,
pois se fomos deixar tudo por conta da memória do
povo, que já possui tanto problemas, eles acabam
sendo esquecidos.
Zunido – A paróquia de São
Brás fornece algum tipo de assistência psicológica
a família dos acusados do crime?
Padre Nunes – Não, pois logo
após o ocorrido uma das famílias se declarou
evangélica. Então não houve uma aproximação
para ouvi-los. Mas também não mantermos as
portas fechadas para eles e para ninguém. Aqui todos
sempre serão bem vindos.
Zunido – Muitos jovens participam
das atividades da capela de São José. Como
esse trabalho é desenvolvido e como você analisa
a função social dele?
Padre Nunes – O trabalho jovem da
nossa paróquia é admirável. Todos eles
trabalham muito bem, invocando uns aos outros, com muita
amizade e comunhão de vida muito forte. Vejo como
um dos trabalhos de maior importância da paróquia
de São Brás e que temos procurado dar total
apoio.