Madureira,
Zunido: O seu jornal de bairros na internet. Produzido por estudantes de Jornalismo e Publicidade do Campus Madureira da Estácio de Sá
CRÔNICAS DO SABER
     Pablo Laignier
     porentrelinhas@yahoo.com.br

14.08.07

Pan-checão II

Pois na semana passada eu comecei a escrever sobre os Jogos Pan-Americanos ocorridos, recentemente, no Rio de Janeiro. Foi realmente emocionante para mim assistir de perto a tantas provas de diferentes modalidades esportivas, algumas delas de esportes que não fazem exatamente parte de nossa cultura cotidiana.

Por exemplo: estive presente a um dia de saltos ornamentais, quando pude ver as mulheres mergulhando, individualmente, da plataforma de 10 metros e os homens pulando em dupla de um trampolim rente à superfície da piscina. Não tinha a menor idéia de como se processavam os pontos neste tipo de esporte e quais os critérios que levam um atleta a obter determinada pontuação.

Diga-se de passagem, continuo não sabendo... Assim, o que me vem à memória é a senhora que estava a meu lado durante essa competição, cerca de 70 anos, distinta, cabelos pintados de negro, falante. Ela estava junto a um grupo de senhoras de idades variadas, compreendidas entre 50 e 70 anos, como pude notar. De todo o grupo, a que estava a meu lado era, sem dúvida, mais falante. Emitia suas opiniões de forma despretensiosa, tentando adivinhar as notas dos juízes. Como estas eram ditas em voz alta logo após cada salto, por alguém da organização da competição (de modo consecutivo e ininterrupto), a senhora a meu lado buscava imitar seu falar, no mesmo tom rápido e monótono. Era engraçadíssimo, principalmente porque muitas vezes a senhora dos cabelos tingidos errava feio, mostrando o quão leiga era neste esporte tão pouco tradicional em nosso país. Alíás, quando alguma atleta cubana começava a se preparar para um novo salto, a senhora dizia, invariavelmente: “Ih... As cubanas são fogo!!!” Ou então, quando alguma norte-americana ou canadense parecia ter obtido um salto quase perfeito, ela dizia, perplexa: “que beleza...”

O fato é que chegamos a conversar, a senhora e eu, sobre a possibilidade de uma medalha para a nossa atleta principal nesta modalidade: a sorridente e experiente Juliana Veloso. Não sabíamos realmente o quanto ela estava próxima (ou distante) da tão sonhada medalha; torcíamos, contudo, sabendo que o Brasil poderia subir ao pódio mais uma vez. Ouro, nem pensar... Prata, quem sabe... Bronze, talvez... Enfim, qualquer medalha seria ótima para nós torcedores. É como se um pódio brasileiro fizesse valer o ingresso, mesmo sabendo que o ingresso já estava pago há tempos... Míseros R$ 10,00, para estar em instalações esportivas de alto nível, em uma de suas primeiras competições internacionais...

Pois não é que Juliana Veloso liderou boa parte da prova, chegando a nos fazer pensar na possibilidade do ouro (o que significaria, para mim, àquela altura do campeonato, cantar o hino nacional pela quinta vez, coisa que fiz no dia seguinte, na final do futebol feminino). Mas tem sempre uma canadense, uma norte-americana, uma cubana, uma mexicana... Tem sempre alguém no caminho, querendo a medalha tanto quanto nós e nossos atletas. Nem sempre se pode vencer e, em dado momento da competição, Juliana perdeu a liderança. As moças, durante a final, teriam que saltar cinco vezes, alternadamente. Além disso, já tinham saltado outras tantas, durante a fase eliminatória, que ocorreu na mesma tarde. Gostei muito do bronze e, mais ainda, da simpatia de Juliana, que saiu dando entrevistas com seu sorriso característico.

Levei minha mãe neste dia, pois tinha comprado alguns ingressos a mais para alguns dias de competição. Não tenho o menor problema em assistir sozinho a eventos como este, mas o prazer de estar com pessoas próximas em momentos de rara emoção não tem preço... Ao final, despedi-me da senhora de cabelos tingidos, minha melhor amiga por alguns momentos, pensando em como é bom ser carioca e de bem com a vida...


Pablo Laignier.



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