 |
|
Por
Alessandra Coelho e Michelle de Andrade (3º período) |
Presidente da Associação de Moradores do morro
de São José da Pedra há 4 anos, Jorge
Pereira, 46 anos, nascido e criado em Madureira, tem orgulho
do lugar em que vive. Ex-coordenador e supervisor do Programa
Jovem Pela Paz, que auxiliava a Polícia Militar no
patrulhamento da cidade e que foi extinto pelo governo Sérgio
Cabral, Jorge é, atualmente, coordenador social do
projeto Germinal Mel (Movimento de Esportes e Lazer) –
que trabalha com cultura e esporte na comunidade. Devoto
de São José da Pedra e torcedor do Madureira,
declarou ao ZUNIDO ser suburbano de coração.
Durante a festa do dia 1º de maio, o presidente da
Associação de Moradores falou um pouco das
alegrias e tristezas da vida na humilde na comunidade em
que nasceu e foi criado.
ZUNIDO – Qual é a sensação
de acordar e ver o bairro Madureira por cima, aqui, do alto
do morro de São José da Pedra?
Jorge Pereira – Ver o Rio de Janeiro
aqui de cima é maravilhoso, mas na comunidade ainda
temos muitas casas de barro, de estuque, de bambu, e isso
entristece. Não somos ingratos, estamos muito satisfeitos
com a ajuda que a prefeitura tem nos dado. Apenas temos
uma questão que teria que ser vista: o programa “Jovens
pela paz” que fornecia cultura e arte para a comunidade,
que era financiado pelo governo do Estado, mas foi extinto.
O programa beneficiava cerca de 20 mil jovens da Zona Norte
e 13 mil em Madureira. Hoje eles estão desempregados.
Cada jovem tinha uma bolsa de R$ 240 mensais.
ZUNIDO – Qual a altura desse morro?
Jorge Pereira- Não sei te dizer,
mas temos mais uma coisa a se orgulhar a respeito disso,
a escadaria da Penha tem 365 degraus, nós temos 366.
Superamos a Penha em um. Tudo para a gente aqui é
motivo de orgulho, mas temos o lado triste. O que é
o lado triste? Muita criança sem uma creche e muito
adulto sem estar trabalhando. Contudo, conseguimos recentemente
uma parceria com o governo do Estado. Estou mandando por
semana, 60 pessoas para a Secretaria de Estado de Trabalho
e Renda (Setrab) que mantém um banco de empregos
na Praça XV.
ZUNIDO – Qual
é a porcentagem de moradores desempregados?
Jorge Pereira – De setenta a oitenta
por cento. Mais que a metade são jovens.Eles tiveram
seus primeiros empregos, no “Jovens pela paz”,
mas o programa acabou.
ZUNIDO – Qual a
ligação das pessoas que moram aqui com o bairro?
Jorge Pereira – A ligação
com o samba, já que Madureira é o berço
do samba. Mas a maior ligação que a gente
tem é com os próprios moradores da comunidade,
um é amigo do outro. Aqui, temos muitos moradores
nordestinos, muitos mineiros. É uma comunidade que
qualquer pessoa que chega, recebemos de braços abertos.
Ricardo França

Jorge Pereira se declara suburbano de coração
e tem orgulho do lugar em que nasceu e foi criado.
ZUNIDO – Desta
comunidade, vieram dois dos jovens que participaram do assassinato
do João Helio. Como você avalia essa situação?
Jorge Pereira – Foi uma situação
isolada de dois jovens de nossa comunidade, inclusive um
menor de idade, que participou desse crime bárbaro
do João Hélio. Todos os moradores repudiam,
ninguém foi a favor disso. Existe uma matéria
que saiu em um jornal, dizendo que nossa comunidade é
a que tem o menor índice de violência, e isso
para a gente é bom.
ZUNIDO – O senhor
poderia citar algum exemplo de jovens ligados ao crime,
mas que mudaram de vida depois de participarem de programas
sociais?
Jorge Pereira – Aqui temos jovens
que foram treinar no Madureira Esporte Clube, através
da escolinha que tínhamos no programa “Germinal
Melo”, que é um projeto que atende crianças
na área esportiva, no reforço escolar e adultos
que não sabem ler e escrever. É financiado
pela prefeitura do Rio.
ZUNIDO– Como você
analisa a condição de vida da população
de Madureira?
Jorge Pereira – Aqui na nossa comunidade,
nós ficamos alegres de um lado e triste de outro.
Alegres porque é a comunidade que tem a melhor visão
panorâmica, mas triste porque ainda não temos
uma creche. A ação do estado está chegando
aos poucos, a prefeitura está investindo. A secretária
municipal de Meio Ambiente, Rosa Fernandes atua com o projeto
de reflorestamento e da horta comunitária que terá
sua produção destinada a creches e escolas
da região. Cinqüenta por cento será destinada
à venda, com o objetivo de gerar renda a moradores
da comunidade. E os outros cinqüenta por cento vai
para uma escola do município. Agora, só falta
chegar o material para plantar.
ZUNIDO – Qual a estimativa
de pessoas beneficiadas com a construção de
uma creche na comunidade de São José da Pedra?
Jorge Pereira – Na Serrinha tem
duas creches, na Congonha tem duas e a gente fica com uma
indagação: nossa comunidade tem cerca de 20
mil moradores, esta localizada há menos de 500 metros
do Mercadão de Madureira, um dos maiores centros
comerciais do Rio de Janeiro, e o terceiro maior arrecadador
de ICMS, e não temos nenhuma creche.
MAIS
NOTÍCIAS DA COMUNIDADE...
COBERTURA
DA FESTA DE MADUREIRA...