Jongo
da Serrinha
Império
investe em centro cultural
A economia do Império Serrano está sustentada
numa “commoditie” simbólica: a tradição,
tão valiosa como o petróleo e o minério
de ferro, por exemplo. É um investimento que angaria
respeito, reconhecimento e patrocínio. Dos produtos tradicionais,
o jongo é aquele certamente o que agrega mais valor à
escola. O Centro Cultural Jongo da Serrinha recebe entre 40
e 80 crianças por aula, toda semana. É um trabalho
começado pelo mestre Darcy Monteiro há mais de
quatro décadas. Ele pretendia que o jongo, antepassado
do samba, fosse entendido e jamais esquecido. Valorizava mais
o ritual e menos o espetáculo.
O
jongo é uma dança de roda em que homens e mulheres
cantam pontos (“demandas”) durante toda a noite,
em volta da fogueira, dançando ao som de batuques e chocalhos.
Nos primórdios, era extremamente proibida a presença
de crianças no ritual do jongo. Com o passar dos anos,
o próprio mestre Darcy passou a se preocupar com a transmissão
do jongo para as novas gerações e reconsiderou
o veto. Hoje, o grupo cultural criado por mestre Darcy e Tia
Maria do Jongo oferece aulas de dança e outras oficinas
para as comunidades de Madureira, Vaz Lobo e bairros adjacentes.
A
exigência de limite de idade caiu e, atualmente, as crianças
são as mais empolgadas com o jongo. A coordenadora do
Centro Cultural, Marisa Flávia da Silva, explica que
as oficinas de jongo separam os iniciantes pela idade. “É
claro que um menino de 12 anos têm mais facilidade que
uma criança de três”, afirmou. O centro conta
com a solidariedade de colaboradores, segundo Marina, e já
passou por dificuldades administrativas.
Para Marisa Flávia, o jongo não é só
uma dança com batuque, mas está envolvido em um
complexo contesto religioso. “É por isso que se
demorou tanto a abrir a prática do jongo para crianças”,
ressaltou a coordenadora. Só depois que as crianças
dormiam, complementa, a roda começava. Normalmente de
madrugada. “É uma dança de pretos-velhos
escravos que morreram jongando, cujas almas exigem respeito”,
finalizou Marisa Flávia.
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Assessoria
de imprensa: Império Serrano |
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Centro
cultural fica localizado no morro da Serrinha, em Madureira. |
Hoje, a principal referência do jongo da Serrinha é
a Tia Maria do Jongo, da linhagem mais nobre do Império.
Ela é irmã de Tia Eulália e de Molequinho,
os donos da casa onde foi fundada a escola de samba. Aos 86
anos, a empregada doméstica Tia Maria participa ativamente
das atividades do centro cultural. Tia Maria hoje dá
o braço a torcer em relação a dogmas antigos.
“A salvação, não só da memória,
mas da prática do jongo está nas mãos das
crianças”, revelou.
Divulgado
em todo o Brasil, o jongo da Serrinha conta com patrocínio
de grandes empresas e empreendimentos, como a Petrobras, a C&A
e o Projeto Criança Esperança, da Rede Globo de
Televisão. Com o dinheiro, o centro cultural adquire
lanches, uniformes, materiais didáticos e pagam colaboradores
das oficinas. Na biblioteca, na subida íngreme do morro
da Serrinha, as crianças se divertem brincando com fantoches
e aprendendo a ler obras infantis.