Engolindo
letras
Nova
linguagem usada em internet
economiza nas frases e contagia jovens
Por Cristiane Albuquerque
a: “Oiii miga!"
b: “Oiê, ki xodade!"
a: “Td bem ctg?"
b: “Td certim, como q c tah?"
a: “Belezinha. E as 9dades"
b: “Nd d novu e vc?"
a: “Minina, c naum sab? Tô namolandu"
b: " Ki linduuuuu!"
Tradução:
a: “Oi amiga!"
b: “Oi, que saudade!"
a: “Tudo bem contigo?"
b: “Tudo certinho, como você está?"
a: "Belezinha. E as novidades?”
b: “Nada de novo e você?"
a: "Menina, você não sabe? Eu estou
namorando.”
b: “Que lindo!"
Pode até parecer estranho, mas esse tipo de linguagem
é cada vez mais usado por jovens e adolescentes
que acessam a internet e conversam em chats (bate-papo).
Conhecido como internetês, esse “novo”
idioma apresenta características próprias
e padronizadas, pois não se preocupa com as regras
gramaticais, ortográficas e de acentuação
da Língua Portuguesa. A nasalização,
que é indicada pelo til (~), no é substituída
pela letra M no final das palavras, como é o caso
das palavras NÃO e ENTÃO que se transformam
em NAUM e ENTAUM.
|
Arte:
Renan Barroso
 |
Outra característica particular do internetês
é a utilização da letra H para indicar
a acentuação tônica, o É e TÁ
se transformam em EH e TAH. O uso dessa linguagem, no entanto,
quebrou as barreiras da internet e já começa a
influenciar a escrita dos adolescentes dentro das salas de aula
e isso tem preocupado os educadores.
Professores condenam
o uso da nova linguagem por atrapalhar as redações
“Agora, mais do que nunca, tenho encontrado o uso de abreviações
e vícios de linguagem, típicas da internet nas
redações que corrijo, principalmente no Ensino
Médio, pois os jovens dessa faixa etária têm
maior facilidade de acesso à rede” afirma o professor
de Língua Portuguesa e Literatura Leonardo Serqueira.
“No entanto, o caso mais extremo foi de um aluno da 7ª
série do Ensino Fundamental. Ele não chegou a
ser reprovado, mas suas notas eram, quase sempre, abaixo da
média devido à reincidência do uso dessa
linguagem” completa o professor.
Segundo Leonardo, isso acontece porque a maioria dos jovens
que têm acesso a essa tecnologia, não está
engajada com a leitura efetiva. Portanto, acabam encontrando
dificuldades quando vão escrever um texto mais formal.
“Procuro impedir a ‘invasão’ do internetês
nas salas de aula, censurando este tipo de linguagem, pois isso
influencia no uso da gramática”
“Pra vc q eskrev axim”, a professora de Língua
Portuguesa, Mara Pavão dá a dica: “Os jovens
precisam estar atentos para separar os momentos diferenciados.
O primeiro momento é o lazer, que por estar diante de
uma máquina, a distração e ao envolvimento
tomam conta. O segundo momento é aquele em que o jovem
está diante de alguma avaliação ou concurso.
É preciso toda uma preparação a fim de
estar comprometido com a linguagem própria do país”
afirma a professora. “Apesar desta linguagem já
fazer parte do meu dia a dia, nunca me prejudiquei ao escrever
meus textos para o colégio, pois sei diferenciar o lazer,
quando estou navegando, do cotidiano escolar, quando faço
minhas redações e tarefas” conta a estudante
da 2° série do Ensino Médio do Colégio
Marechal Lott, Caroline Silva. “A leitura também
ajuda muito” completa ela.”
Facilidade de
comunicação: internetês dinamiza as conversas
Segundo os internautas, as maiores vantagens
do internetês são: a agilidade e a praticidade
na transmissão das mensagens. Como é possível
“falar” com várias pessoas ao mesmo tempo,
existe a necessidade de escrever rápido e esse dialeto
atende a essa necessidade. Outros dizem que usam a linguagem
por modismo ou preguiça de digitar as palavras na forma
correta. “Às vezes, converso com umas 15 pessoas
ao mesmo tempo no MSN, então uso o ‘internetês’
para facilitar e tornar a comunicação mais ágil.
Demoraria muito mais tempo se tivesse que escrever tudo certinho
e não daria conta de conversar com todo mundo”
revela a estudante da 7ª série do Colégio
Marechal Lott, Nanelly Alves.
Os internautas dizem que é fácil reconhecer quem
é iniciante na rede, pois, normalmente, eles não
usam o dialeto, o que acaba tornando desinteressante teclar
com essas pessoas, pois como não sabem usar o internetês
a conversa acaba ficando cansativa e demorada. Logo, para fazer
parte desse mundo virtual, o jovem-internauta precisa se adequar
às exigências do grupo e usar esse novo idioma.
“Quando comecei a usar a internet e as salas de bate-papo
não entendia quase nada daquela linguagem ‘louca’
e cheia de símbolos, abreviações. Percebi
que as pessoas não tinham paciência para teclar
comigo porque eu demorava muito para digitar e responder as
mensagens. Agora que já domino o internetês e não
passo mais por esse problema” conta Caroline.